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Moda

Crise na moda: O panorama do mercado de modelos durante a pandemia do coronavírus

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Já não é novidade que a pandemia do coronavírus teve um grande impacto no ramo da moda, a semana de Alta Costura em Paris foi cancelada, lojas de grife estão fechando pelo mundo todo e, sem dúvidas, a crise no ramo foi instaurada. Mas, ainda que muito se fale sobre tudo isso, há uma questão que pouco temos visto relatos: e o mercado de modelos? Como toda essa estrutura que também conta com os scouters, bookers e agências estão sobrevivendo nesse cenário? 

Por ser um trabalho muito global, grande parte das modelos agenciadas passam grande parte de seu tempo entre as grandes cidades da moda, com uma vida baseada em check-ins e check-outs ao redor do mundo. Fronteiras fechadas, menos eventos e a impossibilidade de estar presente em aglomerações tem criado, sem dúvidas, um panorama complicado. 

Para entender isso, convidamos 3 nomes poderosos do ramo para darem seus relatos, Valentina Saluzzi, profissional que após rodar o mundo como modelo mergulhou no mercado de scouter internacional, Vinicius Freire, agente de modelos e scouter da agência de Nova York IDENTITY Models com mais de 20 anos de mercado e Vinny Vasconcellus, booker e scouter internacional, que atua no ramo da moda há mais de 10 anos.

Foto: Reprodução/ Instagram @winnieharlow

Um panorama sobre o mercado de modelos

Três diferentes visões da profissão poderiam gerar respostas diferentes para cada pergunta, mas uma coisa foi unânime. Quando questionados “Você acredita que a pandemia do coronavírus está impactando no mercado de modelos” todos responderam que sim. 

De acordo com Valentina “Viagens adiadas, semanas de moda canceladas e o desespero para retornar ao seu país de origem” são coisas que tem impactado no mercado “antes de um modelo pisar numa passarela, ele passa por várias etapas. Casting, prova de roupa, maquiagem e isso mesmo com a tecnologia é algo impossível sem fazer aglomerações.”

Vinicius Freire também compartilhou sua visão sobre o assunto, explicando que o trabalho era muito global, já que cada contratante opta por fazer produções em diversos lugares do mundo como Nova York, França e Japão e as modelos acompanham esses trabalhos. 

“Imagina para as empresas todas acharem uma solução para não terem uma aglomeração de pessoas dentro de um estúdio, por exemplo, porque uma produção fotográfica ou uma filmagem exige o trabalho de várias pessoas”, segundo o agente “é uma situação bem preocupante, mas que eu acredito que a gente vá achar novas soluções para encontrar uma forma de seguir em frente.”

Ambos acreditam, entretanto, que há formas de poder ajudar essas modelos. Para aquecer o mercado, por exemplo, Freire explica a necessidade de que as empresas contratantes estejam trabalhando “de repente de uma forma diferente, em um novo contexto. Claro que isso não vai ser como foi antes” de acordo com ele essa situação irá englobar todo mundo, não só apenas agências e bookers.

Para Valentina tudo é uma questão de empatia e comprometimento ”Antes de qualquer coisa é preciso ter paciência. Se comprometer com estadia, ajuda financeira, auxílio e não deixá-los [os modelos] na mão.” 

Enquanto isso, Vinny Vasconsellus acredita que as agências têm ajudado a melhorar o cenário aceitando novos valores imposto pelos contratantes, que estão bem mais baixos atualmente, além de fechar trabalhos que antes eram considerados secundários. De acordo com ele todo o mercado funciona como uma pirâmide. Ao reduzir a quantidade de desfiles, naturalmente reduz o número de modelos aprovados para cada evento.

Kaia - Modelos pandemia
Foto: Reprodução/ Instagram @kaiagerber

Uma nova era digital?

Desde fevereiro diversas empresas de moda ao redor do mundo estão se reestruturando e se adaptando ao novo cenário de pandemia. Ainda na Milão Fashion Week, que aconteceu em fevereiro, a Giorgio Armani fez um desfile de portas fechadas, transmitindo toda a sua coleção através de uma live no Youtube. 

Meses depois a Moscou Fashion Week ofereceu para as fashionistas e indústria do mundo inteiro uma programação 100% digital, transmitindo lives no Youtube, Instagram, Tik Tok e diversos sites russos. A London Fashion Week já anunciou que seguirá seus passos, e criará uma semana de moda online – e sem gênero.

Junto a tudo isso, marcas estão se reestruturando, mergulhando no universo online para trazer novas formas de atuação. Jacquemus, por exemplo, criou a série de shootings “Jacquemus at Home” que já contou com nomes como Bella Hadid e Barbie Ferreira fazendo sua campanha através de FaceTime. 

Mas será que o mundo de modelos conseguiria sobreviver nessa nova estrutura digitalizada? Que isso se tornará uma prática comum no ramo da moda? De acordo com Vinicius “eu acredito que isso vá funcionar sim porque a gente vive em um mundo muito moderno, onde as pessoas estão sempre inovando e achando novos mecanismos para as coisas funcionarem bem e talvez fazer com que a gente abra os olhos para novas oportunidades que antes não víamos por já estarmos acostumados com um método de trabalho que já funcionava.”

Modelos London Fashion Week
Foto: Reprodução/ Instagram @londonfashionweek

A inovação das Fashion Weeks?

“Não acredito muito nessa mudança permanente, o fashion week alimenta muita coisa como turismo, street style, fotógrafos e até mesmo para o online rende mais. Todos nós amamos as entradas e saídas dos desfiles e o street style alimenta isso. Mas eu tenho certeza que irão sim continuar com o digital, com as transmissões por estratégia” conta Valentina.

Já Freire acredita que não teremos Fashion Weeks tão cedo “vejo que algumas marcas tipo a Saint Laurent estão encontrando formas para poder mostrar o produto deles, para possivelmente tentar manter o consumo necessário para a empresa se manter viva”.

“Então acho q isso é um impacto meio preocupante porque a Fashion Week é realmente uma das grandes vitrines para uma modelo” de acordo com o scouter este é o espaço onde elas têm a oportunidade de trabalhar com outros grandes profissionais e se inserir no mercado internacional.

Foto: Reprodução/ Instagram @londonfashionweek

E o pós pandemia?

É fácil acreditar que o mercado de modelos iria passar por uma grande transformação no fim da pandemia, entretanto, alguns insiders acreditam que não. Quando perguntada se haveria uma mudança na visão e forma das agências de atuarem Valentina comenta “sinceramente? Não…. triste, mas é a realidade, Não acredito!”.

“Em relações aos padrões, de uma forma ou outra estão abrindo mais as portas…” mas segundo ela “é algo que já vinha lentamente acontecendo antes da pandemia.” conta Valentina. 

Vinny concorda e acrescenta que para ele o perfil exótico está cada vez mais em alta “aquele perfil muito perfeito, muito boneca para o mercado fashion está cada vez mais em baixa” e explica “claro que não significa que não vai haver esses perfis no mercado, mas cada vez mais estamos dando espaço para as novidades”.

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